‘Monte da oração’ atrai fiéis a área preservada na zona leste de SP
09/09/2019 20:32 em GOSPEL

Fiéis de igrejas evangélicas de várias denominações têm subido o morro diariamente para orar na Fazenda do Carmo, Cidade Tiradentes (zona leste).A peregrinação, que segundo os cristãos chega a reunir 4.000 pessoas nas noites de sextas-feiras, ocorre dentro da APA (Área de Proteção Ambiental) Iguatemi, onde é proibido o acesso de visitantes.

O terreno foi adquirido na década de 1990 pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), hoje sob a gestão João Doria (PSDB). De um milhão de metros quadrados de área total, 30% são de reserva ambiental —cerca de 300 mil metros quadrados.

É exatamente nesse trecho de zona de mata que os crentes pentecostais buscam ouvir Deus pela oração, como a reportagem do Agora presenciou no mês passado.A entrada se dá pela rua Gitirana, que fica bem em frente aos conjuntos habitacionais erguidos pela companhia estadual.

Não há nenhum portão ou muro que impeça o acesso ao “monte da oração”, como o local é conhecido pelos fiéis. Na entrada até existe uma placa da CDHU que informa ser área de proteção ambiental, inclusive a lei de crimes ambientais (9.605/1998).

O chão de terra batida sem vegetação possui degraus para facilitar o acesso morro acima. “A gente sobe em nome de Jesus. Quando o coração fala pra gente”, disse uma integrante da Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus, quando descia do monte ao lado de outra mulher.Outros, entre homens e mulheres, subiam para o interior da mata. A maioria com Bíblias nas mãos.Em parte da reserva ambiental existe uma espécie de clareira aberta onde ocorrem os cultos há mais de uma década.Por entre as árvores nativas, se chega a um templo improvisado. Ali, a cerca foi construída com galhos das árvores, bem como os bancos com troncos.

Perigo

O perigo de frequentar o local, principalmente à noite, está na presença de morcegos. A Prefeitura de São Paulo registrou o aumento de acidentes por mordida do mamífero silvestre na área do Iguatemi, habitat natural do animal.

 

Neste ano, até esta quinta-feira (8), o hospital de referência da região registrou 56 atendimentos por mordida de morcegos. Apesar de dizer que houve aumento nos casos, a gestão Bruno Covas (PSDB) não citou quantos foram em 2018.Segundo a prefeitura, não é possível determinar se todos os casos foram na área onde ocorrem os cultos. Todas as espécies de morcegos têm hábitos noturnos e são encontradas em todas as épocas do ano. Os animais são transmissores do vírus da raiva.

No “monte da oração”, o tema morcego não é bem administrado pelos frequentadores. Questionados, muitos disseram que não há perigo algum. “Eu fiquei acampado 30 dias lá em cima e não fui mordido”, afirmou um pastor.

 

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